sábado, 18 de outubro de 2008

As eleições Americanas

No dia 4 de Novembro cerca de 220 milhões de americanos, potenciais votantes, vão escolher o seu próximo presidente.

É o fim da era Bush. A América de Bush fica definitivamente marcada pelo 11 de Setembro e por tudo o que se lhe seguiu. A guerra ao terrorismo, o acto patriota, a invasão do Iraque, a incapacidade de reverter o desacelaramento da economia, a imposição da “força” nas relações com o resto do mundo, a irresponsabilidade da política ambiental, as torturas em guantánamo e, claro, os grandes escândalos financeiros. Em resumo, foi uma administração marcada pelos falhanços, pela polémica e pela boçalidade do presidente e acaba por não deixar saudades a quase ninguém. O gráfico seguinte mostra a evolução da opinião pública Americana sobre a actuação da administração Bush (a azul as opiniões positivas e a vermelho as opiniões negatvas).

A Europa tem dificuldade em perceber como políticos como Bush conseguem chegar ao poder porque, normalmente, se esquece que há uma América rural, conservadora e “redneckniana”, muitas vezes a roçar o grotesco, o ignorante e o surreal. Esta América, que a Europa tende a ignorar, domina todo o midwest, o sul e parte do oeste dos Estados Unidos; Vive longe dos grandes centros e da cultura de modernidade, das cidades mais emblemáticas como Nova Iorque, Chicago ou Los Angeles, e vota tradicionalmente no partido conservador.

Em 2004, os Americanos votaram assim:

Espera-se que no dia 4 de Novembro a América vote mais ou menos assim e que eleja Obama para o próximo presidente. Segundo a última sondagem, na Europa Obama ganharia com cerca de 85% dos votos, o que, só por si, diz bem da disparidade de perspectivas entre as duas culturas políticas, no sentido mais genérico da expressão.

No último debate televisivo entre os dois candidatos as opiniões voltaram a ser unânimes: embora tenha sido o melhor McCain, Obama continua a ganhar. A imagem de Obama passa melhor, é mais fluente no discurso e, embora o seu discurso seja “redondo” e um pouco vazio, marca muitos pontos com frases chave baseadas na ideia de mudança e de confiança. McCain parece perder porque é menos telegénico e porque a América rural também está em crise e não consegue ver nele alguém capaz de inverter os sinais negativos da era Bush.

McCain perdeu ainda mais com uma indecisão na saída da mesa do debate em que foi “apanhado” no esgar de hesitação que a foto mostra, menos próprio para quem pretende passar a imagem de seriedade e firmeza que ele tem preconizado.

No dia 4 veremos se as tendências se confirmam e se não há surpresas de última hora. Não adoro Obama, mas definitivamente parece que McCain pouco traria de novo à política Mundial. Pode ser que Obama venha a ser uma surpresa agradavél... A verdade é que não apresenta grandes novidades no discurso, nem ideias muito concretas de qual será o seu plano de acção, mas parece não estar agarrados aos cânones da tecnocracia, abre a porta para a alteração das políticas ambientais e demonstrou ter vontade de alterar a política do “quero, posso e mando” que Bush impôs na esfera geopolítica mundial. Se assim for, acho que lhe devemos desejar sorte! A ver vamos...

Não sendo aparentemente uma “guerra” nossa, a verdade é que o que se passa do lado de lá do Atlântico continua a ser determinante para o que acontece deste lado e por isso devemos continuar atentos ao que por lá vai acontecendo.... Daqui a uma ou duas gerações talvez seja mais importante seguir os acontecimentos políticos da Ásia do que os Americanos, mas isso ainda não é para já...


* - Gracias ao JP pela foto do debate

1 comentário:

Anónimo disse...

Pois!
Já chega de Gágás!
Julgo que a 4/11 o esgar será maior, o que FICARÁLHO bem!
AS